segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sub[in]m[v]ersão

OditneSentido?



Eu posso sentir o aroma da decadência invadindo meu quarto. Abro as janelas numa frustrada tentativa de mandá-lo embora, mas a fonte sou eu, logo, ele persiste. Faço um grande esforço para tirar os sapatos e jogá-los sob a cama, em seguida, meu corpo ensaia a morte sobre o colchão. Observo o teto e suas estrelas fluorescentes, começo a contá-las e me pergunto se não falta alguma. Quando eu era menor elas pareciam tão mais numerosas. O que acontece quando a gente cresce? Por que o mundo e tudo nele parece ficar tão menor? É como se as coisas perdessem a importância, não só o tamanho. Aquele sorvete de morango que você tanto apreciava, de repente é só um sorvete de morango. O seu brinquedo favorito, lembra-se dele? Onde está agora? Um dia de sol... De que importa um dia de sol? É só mais um na sua lista. Listas, a segunda parte. Tudo parece carecer de programação e tempo. Tantos anos para se formar nisso, tantos meses para começar o novo, de novo, tantos dias para terminar aquilo, tantas horas para a próxima reunião. Eu pergunto: o que há de errado? Se isso é o normal, por que parece tão errado? O problema sou eu, não o mundo. Não as crianças, não o tempo. O problema sou eu que não quero pertencer a esse mundo, a esse tempo... Mas não quero não pelo fato dele ser péssimo, injusto, triste, perigoso, danoso, pois ele também tem todos os contrários, e sim pelo fato de idealizar um lugar onde penso antes no ótimo, justo, feliz, seguro, proveitoso e só depois em qualquer oposto. Alguém aqui consegue me compreender? Eu queria inverter tudo. Só por um momento... Há algo de errado comigo, e eu sei o que é. Eu pertenço a um lugar onde não é doloroso sonhar, a um lugar onde amar é mais importante do que qualquer outra coisa, eu pertenço a um mundo só meu, e é esse o problema, pois eu estou num mundo de todos. Nesse instante, percebo, estou também me afogando.

Onde estás?


Confissões póstumas de L.Q.

4 Voz[es]:

J. disse...

Um dos motivos para eu gostar de um texto é quando me identifico com ele, e foi o que aconteceu quando li esse. Muito bom! Sempre me vejo pensando em como sou alheia a esse mundo que passa diante dos meus olhos sem me tocar.

Maira Colares disse...

Me identifiquei tanto! Li três vezes e não foi o suficiente.

JessVelvet disse...

Fico muito feliz que tenham gostado. Espero que saibamos... Bem, obrigada. :)

Rerzer disse...

Gostei muitíssimo!

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