
Eu precisei perder todo o sangue que corria em meu pulso para aperceber-me de que era a mão de um estranho a segurar-me – e não a dele. Julguei dois olhares furtados como méritos da cova que meus dedos construíam sob mim – sem que me fosse possível detê-los –, vislumbrando no reflexo da vitrine minha necessidade de ultrapassar o limite da porta. Pediu-me para acompanhá-lo sem me oferecer – ante o impróprio e indecoroso gesto – a súplica de uma mente adoecida. Estava estampada nos olhos dele a latente urgência de conceder-me uma culpa que, por ora, não me pertencia. Como pôde pintar e borrar um termo tão vulgar sobre minha pele – por muito pouco – imaculada? Como pôde abandonar em minhas palmas o peso daquilo que meu âmago mais precisara negar? Não, ele estava enganado. M-u-i-t-o. Não havia nada que carecia de provas entre nós, e nesse aspecto, tenho certeza, ele deveria concordar.
▪ Eu preciso lhe provar algo. Você também tem a morte nas mãos, não tem? ▪ Perguntou-me e de minhas palavras adormecidas os gritos foram contrariados, quando dos receios subentendidos igualmente ignorados. Neguei, assim o fiz, mas era a verdade e com isso voltei a senti-la sobre minha pele – agora – áspera. Quis chorar, pois meus pulsos ainda doíam, porém, recusei as lágrimas culposas que me aflorariam os olhos azuis – antes fossem da cor do pecado, antes fizessem jus ao meu ânimo quase morto. Soltou-me e pude refletir sobre todas as coisas que aconteciam nos segundos que se sucederam como séculos antepassados. Quem entenderia minhas reflexões? Eu precisava de uma resposta, uma vez que ele me cobrava com a súplica supracitada como pré-requisito para nosso passeio de pseudo-enamorados.
▪ Você vem comigo? ▪ Foi um movimento de lábios preciso e lento, mil vezes mais demorado do que qualquer outra coisa que eu poderia recordar. Quis dizer que não, mandá-lo embora definitivamente e esquecer que tal evento aconteceu, mas fui incapaz diante da urgência de meus sentidos e de minha curiosidade. Afinal, quando você perde tudo o que realmente importa, consequentemente não lhe resta mais nada a temer.
▪ Se você é o retrato da morte, então sim, tenho-a em minhas mãos. ▪ Disse ao entrelaçar nossos dedos apoderando-me de sua tez quente e viva. Quanto tempo passara desde a última vez? Eu não consegui responder. Deixei a loja na companhia daquele total estranho, desejando, (agora confesso) implorando para que ele me fizesse sofrer tanto quanto fosse possível. Nada seria mais doloroso do que meus tormentos habituais, sendo assim, por qualquer outros seriam trocados. Olá, estranho. Prometa-me fazer minhas veias de porcelana sangrarem outra vez.
▪ Eu preciso lhe provar algo. Você também tem a morte nas mãos, não tem? ▪ Perguntou-me e de minhas palavras adormecidas os gritos foram contrariados, quando dos receios subentendidos igualmente ignorados. Neguei, assim o fiz, mas era a verdade e com isso voltei a senti-la sobre minha pele – agora – áspera. Quis chorar, pois meus pulsos ainda doíam, porém, recusei as lágrimas culposas que me aflorariam os olhos azuis – antes fossem da cor do pecado, antes fizessem jus ao meu ânimo quase morto. Soltou-me e pude refletir sobre todas as coisas que aconteciam nos segundos que se sucederam como séculos antepassados. Quem entenderia minhas reflexões? Eu precisava de uma resposta, uma vez que ele me cobrava com a súplica supracitada como pré-requisito para nosso passeio de pseudo-enamorados.
▪ Você vem comigo? ▪ Foi um movimento de lábios preciso e lento, mil vezes mais demorado do que qualquer outra coisa que eu poderia recordar. Quis dizer que não, mandá-lo embora definitivamente e esquecer que tal evento aconteceu, mas fui incapaz diante da urgência de meus sentidos e de minha curiosidade. Afinal, quando você perde tudo o que realmente importa, consequentemente não lhe resta mais nada a temer.
▪ Se você é o retrato da morte, então sim, tenho-a em minhas mãos. ▪ Disse ao entrelaçar nossos dedos apoderando-me de sua tez quente e viva. Quanto tempo passara desde a última vez? Eu não consegui responder. Deixei a loja na companhia daquele total estranho, desejando, (agora confesso) implorando para que ele me fizesse sofrer tanto quanto fosse possível. Nada seria mais doloroso do que meus tormentos habituais, sendo assim, por qualquer outros seriam trocados. Olá, estranho. Prometa-me fazer minhas veias de porcelana sangrarem outra vez.
Por Meredith Lewis, viúva de Art Lewis.


