terça-feira, 22 de março de 2011

Pele e Osso


Nas paredes do quarto, dezenas de imagens. Planejava uma revolução, mas não detinha arma alguma. Ela viu seu mundo girar e desabar inúmeras vezes e, somente agora, pôde confessar que fora assim desde o início. Quando lobos vestiam-se de ovelha e trocavam de pele na frente de seus olhos. Ligou o gramofone e deixou que qualquer música do disco local invadisse o cômodo mal iluminado. Para sua surpresa, não se tratava de um desconhecido. Andou até o guarda-roupa e livrou-se de todas as peças numa tentativa frustrada de despir-se a alma. Cantarolou baixinho "deixe-me salvá-la, segure esta corda" mas, quando olhou ao redor, viu que ainda estava sozinha, não havia nenhum príncipe, tampouco um ogro, oferecendo-lhe redenção. Sentou no piso amadeirado, abraçando as próprias pernas e, fechando os olhos, desejou com tudo o que ainda havia em si que a mandassem de volta. Imaginou seu mundo e ele deveria ser azul, como a imensidão das águas que costumava adorar, como a profundidade de um olhar que sempre buscou. Porque ela também sabia que seu reino, seu rei, estava sozinho, esperando. E tudo o que ela desejava era retornar, pois sem eles sentia-se fraca demais para prosseguir. Ela precisava daquilo que nomeava de amor. Mas perdeu as esperanças de encontrá-lo naquele lugar. Precisava voltar.

1 Voz[es]:

Rerzer disse...

I could kid myself
In thinking that im fine

Now there's always time
Calling for me
I'm the light

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