Um sussurro para eu estar entregue às mãos do ceifador.
A brisa gélida invadia gradativamente meus pulmões, consoante o ar da meia-noite era absorvido. Uma alvorada serena era aquela que recobria a paisagem do dia trinta e um. O mês? Uma incógnita inclusive para mim. Eu ouvia o ecoar de passos mudos em cada esquina que ultrapassava custosamente ao caminhar, a iluminação escassa de algumas lamparinas envelhecidas pouco convencia os visitantes de que aquele fora um lugar santo. Eu observei as torres mais altas da catedral, fechei os olhos e pude ouvir o cântico divino dos sinos que algum dia lhe foram úteis. Adentrei os portões de ferro ornados com traços de uma era gótica, há muito abandonada por qualquer alma que se prestasse a observá-los. Não havia ninguém do outro lado, nada poderia me condenar por profanar a terra chã. Meus passos céleres me guiavam rumo a uma escuridão - até então - desconhecida, eu era conduzida por um toque pérfido (de alguma mão) que insistia em me empurrar para as entranhas do cárcere mental (o meu inferno particular). Para meu reflexo pálido, dezenas de orbes oblíquas se direcionavam, contemplando o longo vestido falecido nas cores do breu noturno. Minha tez facial estava meramente revestida por uma máscara prateada, com detalhes em joias raras - e caras - que de nobreza nada tinham além de um pseudovalor furtado. A valsa dos condenados já havia se iniciado, um pouco antes de minha chegada. Eram almas perdidas, crianças desconhecidas em uma selva de luxúria e escárnio. A alta sociedade inglesa despir-se-ia nos leitos ignóbeis da flagelação espiritual. Dentro da catedral? Sim, mas não era de santos que nós falávamos. Eu admirava todos os demônios, e clamei que o próximo vinho trouxesse um só para meu deleite.
Dois sussurros para você me pertencer.
Por Harriet Vermont.
2 Voz[es]:
Eu realmente a amo. Ela é a parte que falta no Morgan. E alguns dos demônios dela são também mesmo. É fato: Eu roubo algo dos seus personagens, quase sempre.
E você? Como descrevê-la? Posso apenas lhe fazer um pedido: Nunca pare! Um dia, eu prometo ser como você. <3
São também os dele? Eu gosto muito dos dois, gostaria de descobrir mais sobre os mesmos. Eu não me importo que roube qualquer coisa, desde que faça com que eles (os seus personagens) sejam belos da forma que são.
Eu não poderia descrevê-la, mesmo que quisesse muito, pois pouco a conheço. E prometo-lhe nunca parar, pois é o que adoro fazer, além do que, você não tem por que ser como eu, é muito melhor sendo apenas (e isso é grande coisa) você mesma. *-*
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