Eu vestia o véu da noite e caminhava solitário. Embreagava-me com o ar rarefeito das regiões ermas, me entorpecendo com os pesticidas proliferados do ventre britânico. Queria um pouco de substâncias tóxicas para me envenenar a mente. Outra, outra, outra vez. Mil faces quebradas pairavam a me observar, mil passos não dados me perseguindo. Eu somente podia lamentar-me por aquilo que não conseguia ver. Meu modesto relógio contava-me os segundos até a meia-noite, queria chegar em casa e morrer no sono, mas não havia mapa algum que me levasse de volta. Meus olhos estavam selados, minha faculdade de não saber perdera-se com a nebulosidade do tempo. Talvez fosse a hora de me entregar, talvez uma fada não tivesse tanta magia, e um gesto de amor não passasse de uma quimera. Ilusões inventadas ao meu bel prazer. Havia prazos, palavras, contos a serem cumpridos, e eu não podia mais andar. Parei diante do campanário e fitei a torre mais alta, o sino soava mudo em meus ouvidos, e mais adiante o reflexo da lua enganava-me quanto à figura que se aproximava. Cabelos d’ouro, que se ondulavam conforme o vento cãs da alvorada. Os demônios estavam todos lá, todos loucos ao redor dela. Eu não queria vê-los, mas necessitava do toque fétido. Queria tocá-los. Possuí-los e por eles seria eu possuído em troca. Um pouco de vodka para continuar vivendo. Perdição, eu queria sentir mil vidros no peito e chorar pela eternidade com a dor. Mentiras, mentiras mal contadas. Eu não detinha lágrimas sob os olhos. Não detinha valor algum para ser chorado.
Créditos: River¹.
¹ River P. - um homem inglês de vinte e três anos que trabalha para o Burlesque Theater desde os dezesseis, quando começou sua carreira como ator. Aos vinte anos foi internado após uma série de surtos e diagnosticado como portador de esquizofrenia. Em pouco tempo se tornou o autor das melhores peças do lugar, com renome internacional e dezenas de prêmios. Atualmente vive de escrever roteiros, em um apartamento do subúrbio inglês, na companhia de um gato (laikus), um rato (peter), uma cobra (midna), uma filha (Fairy) de seis anos, e uma esposa (Mirian) de vinte e cinco. Aparentemente ele poderia ser considerado normal, mas ninguém jamais fez ideia de qual tipo de realidades ele tem projetado na própria mente.
Créditos: River¹.
¹ River P. - um homem inglês de vinte e três anos que trabalha para o Burlesque Theater desde os dezesseis, quando começou sua carreira como ator. Aos vinte anos foi internado após uma série de surtos e diagnosticado como portador de esquizofrenia. Em pouco tempo se tornou o autor das melhores peças do lugar, com renome internacional e dezenas de prêmios. Atualmente vive de escrever roteiros, em um apartamento do subúrbio inglês, na companhia de um gato (laikus), um rato (peter), uma cobra (midna), uma filha (Fairy) de seis anos, e uma esposa (Mirian) de vinte e cinco. Aparentemente ele poderia ser considerado normal, mas ninguém jamais fez ideia de qual tipo de realidades ele tem projetado na própria mente.
1 Voz[es]:
devo dizer que o texto fez mais sentido quando soube que ele era esquizofrênico o.O
o que de fato também o torna interessante...
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